Resenha: Eu não sou Macaco - Virginie Lou


Li esse livro há dez anos na época da escola e lembro que foi bem impactante por terminar a leitura em poucas horas e abordar um tema, até então, nunca lido por mim. Hoje, com mais experiência reli e apesar de achar o livro muito rápido e que não desenvolve a temática lá muito bem acredito que ainda seja legal abordar principalmente o que o livro nos propõe a refletir.



Vale ressaltar que o livro é um paradidático que traz consigo a ideia de levantar questionamento a serem trabalhados pelos jovens sem necessariamente se aprofundarem. Acredito que a faixa etária de uns 12-14 anos se enquadraria para leitura de “Eu não sou macaco”. Aqui somos apresentados a Joelle, uma garota correta, uma das melhores alunas da classe, tida por muitos como frágil que um dia sofre um assédio de seu “colega’’ de classe, o Didier, ele entra no vestiário e tira a calcinha da Joelle, no intervalo da aula de educação física e depois desse momento nada será o mesmo para ela. Uma série de garotos a veem e começam a sorrir como se ela parecesse um macaco em exibição dentro de uma jaula no zoológico.
A personagem decide depois de passar por essa terrível situação decretar o silêncio e não falar mais nada com ninguém, nem sua melhor amiga, nem com professores, nem com sua família e tudo isso a fim guardar energias para matar o Didier e seu amigo que estavam juntos nesse ato e vamos descobrir ao longo do livro pelo ponto de vista da Joelle como ela se sente e como  irá se vingar.

O livro traz essa questão da violência ocasionada por alunos na escola, como a vítima lida com isso internalizando seus sentimentos e ações, o que não considero a melhor solução, pois nesse caso é necessário falar com responsáveis e amigos e pedir ajuda. Temos, ainda, os professores não sabendo lidar com os problemas de alunos, apenas um responsável maior pede ajuda de um psicólogo. E temos um toque nas questões de imigração, de se encontrar no outro  alguém que te entenda, e que as pessoas que praticam bullying também precisam de ajuda, muitas vezes esses “valentões” também sofrem em casa alguma violência ou não sabem lidar descontando na escola. A questão da vingança programada e premeditada e o que acontece depois que outras percepções e ações acontecem. Afinal, somos como macacos? Os monstros também amam?

Alguns quotes

“Se só os gorilas, se vingam, o que é que eu vou fazer, eu, que não sou macaco?”

“O tempo se estica além do normal, não passa, gruda, é cola. Estamos todos colados no tempo, imóveis.”

“Meu corpo está cortado em dois, no alto, a cabeça repleta de silêncio, embaixo, o ventre nu gelado pela corrente de ar.”

“Não foi a fúria que tomou o lugar da sensatez, não foi a raiva, foi o silêncio, o silêncio indeterminado.”

“Nesse instante, o silêncio se instalava em minha cabeça. Um silêncio sem limites, como as imagens do deserto, mas plano: sem dunas e sem céu, sem areia em cor.”

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