Resenha: Garota sobre garota: Como a cultura pop colocou uma geração de mulheres contra si mesma - Sophie Gilbert
Eu comecei Garota sobre garota por indicação da Iza, do Capitutss, e posso dizer que foi uma das melhores leituras que tive nos últimos tempos. O livro é um ensaio que traz a cultura pop, principalmente dos anos 90 e 2000, mostrando como a imagem da mulher foi construída, e, muitas vezes, manipulada pela indústria. E isso em diferentes meios como música, cinema, televisão, imprensa, publicidade, fotografia, tudo aquilo que ajudou a gente a entender como ser e agir como mulher.
Uma das coisas que mais me chamou atenção é como o livro mostra um padrão que se repete, onde mulheres estão sempre sendo testadas, julgadas, colocadas à prova. Mesmo quando alcançam posições de poder ou destaque, ainda assim sofrem retaliações, críticas desproporcionais e uma vigilância constante. É como se nenhuma conquista fosse realmente segura. Outro ponto interessante é essa ideia de ciclos. Nos anos 90, por exemplo, houve uma onda forte de mulheres na música e na cultura que buscavam romper padrões, criar novas narrativas, propor uma espécie de revolução feminista. Mas isso foi rapidamente substituído por uma nova imagem de mulher mais controlada e conveniente para a indústria. E aí, anos depois, vemos movimentos como o #MeToo que voltaram com discussões importantes, questionando esses padrões e trazendo novas perspectivas. Só que, ao mesmo tempo, também vemos o crescimento de ondas conservadoras que tentam voltar ao passado. É como se a gente avançasse em alguns pontos, mas sempre retrocedesse em outros.
O livro também aborda como os padrões de beleza são construídos e reconstruídos o tempo todo. Teve uma época em que o corpo ideal era extremamente sexualizado e agora já vemos uma mudança para outros tipos de estética, mas ainda assim dentro de um controle, e o pior é que nada disso acontece por acaso, e o livro deixa isso bem claro. Um das partes que me deixou bem enjoada foi a forma como o livro apresenta a indústria, principalmente pornográfica, e como ela se alimenta da objetificação feminina. Mulheres são exaltadas quando servem a determinados interesses e descartadas quando deixam de ser servir a esse propósito. Mesmo trazendo muitos exemplos dos Estados Unidos e do Reino Unido, é impossível não fazer paralelos com a nossa realidade. Afinal, essas referências acabam influenciando o mundo todo seja na forma como a gente consome cultura e enxerga a nós mesmas.
Pra mim, a leitura me deixou bem pensativa sobre essas questões do passado e presente e trouxe uma reflexão que concordo muito ao perceber como a arte como um todo também pode ser uma ferramenta de resistência, um espaço onde mulheres podem se expressar, questionar, criar novas narrativas e romper com esses ciclos. (Afinal, precisamos ter esperança).
É um convite à reflexão e sobre como queremos construir uma sociedade daqui para frente, lembrando que ainda existem espaços para mudar, principalmente se lembrarmos de nossa essência e nos unirmos enquanto mulheres na busca por um feminismo com mais significado e coletivo.

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